[resenha] Os Quase Completos – Felippe Barbosa

Pra quem me acompanhou, eu estava lendo o livro Os Quase Completos, do Felippe Barbosa. Já adianto que ficou meio grande, mas não desistam de mim! Haha, confira a resenha e se encante também:

Sinopse: O Quase Doutor é um renomado cardiologista que passa os dias em um hospital, mas no fundo é um artista frustrado. A Quase Viúva é uma professora que está de licença do trabalho para ficar com o noivo, em coma após um grave acidente. O Quase Repórter é um jornalista decepcionado com a profissão que sofre há mais de um ano pelo suicídio da esposa. A princípio, a única coisa que essas pessoas têm em comum é a sensação de incompletude e de desilusão com a vida.

Até que, um dia, o Quase Doutor é persuadido por um velho desconhecido a embarcar com ele em um ônibus rumo a uma jornada para se reconciliar com seu passado. Logo a viagem se transforma em uma aventura extraordinária e, em meio a fenômenos como uma chuva de estrelas cadentes, ele precisa fazer escolhas que mudarão seu destino para sempre.

Enquanto isso, eventos misteriosos levam a Quase Viúva a suspeitar que alguém dentro do hospital quer matar seu noivo e uma pesquisa minuciosa do Quase Repórter revela que sua esposa pode ter sido assassinada. Quando os dois tentam descobrir a verdade sobre seus amados, tudo leva a crer que a resposta está dentro do ônibus do Quase Doutor.

Reunidos num lugar que nunca imaginaram existir, os três serão forçados a enfrentar seus maiores medos e verão que, para se tornarem completos, precisarão encarar a batalha mais difícil de todas: aquela que travamos com nós mesmos.

ATENÇÃO, SPOILERS!

Eu estava na Saraiva aqui da minha cidade quando a capa do livro me chamou a atenção (ela é muito bonita por sinal). A sinopse era interessante, então decidi dar uma chance pro livro. Comecei a leitura e logo de cara fomos apresentados ao Quase Doutor, um renomado cardiologista que (pelo menos pra mim) já se mostra frustrado com a profissão. Depois, passamos pelo Quase Repórter, um homem que sofre com a morte sem explicação da esposa, e a Quase Viúva, que sofre no hospital com seu noivo em coma.

No começo, achei o livro bem extenso, cansativo em algumas partes. Eu não gostava tanto do Quase Doutor, o achava um tanto depressivo e cabeça dura, e sofria junto com Verônica, a Quase Viúva, e ainda estava sem entender o Victor, o Quase Repórter.

Talvez seja minha falta de tempo, mas eu não gostei de ler um livro tão grande. Mas ok, acho que é mais o pessoal rs. Outra coisa que me incomodou foi a mudança de visão do narrador na hora de contar a história. Mas ok também.

Eu gostei da forma que fomos levados para os problemas do Quase Doutor e da Quase Viúva (Victor, o Quase Repórter, foi o que eu menos gostei). Todos eles tiveram uma perda, mas pra mim as maiores reflexões e perdas vieram do Quase Doutor.

Voltando a história: desde o começo, o Quase Doutor entra num ônibus laranja com um velhinho simpático chamado Barfabel que o leva a vários caminhos, passando por sua vida dos sonhos na infância, adolescência e quando é adulto. Ao lado de Cila, Mira (meu neném), o cachorro-foca Sr . Lorrac, o excêntrico Barfabel e seus avós, pais e amigos, ele começa a ter reflexões se realmente a vida que ele leva hoje é uma vida completa e feliz. Aos poucos, ele vai percebendo que está infeliz, e parte em busca da conquista do seu Oitavo Reino.

Enquanto isso, a Quase Viúva (chamada de Verônica) chorava em um hospital enquanto acompanhava seu noivo, que estava internado com várias complicações após sofrer um grave acidente. Com a companhia do Sr. Piposê, ela começa a refletir se aquela era a vida que ela sempre sonhou.

O grande defeito dos seres humanos está em ter mais medo de alcançar seus sonhos do que a vontade de conquistá-los. Deixe que a vontade supere o medo, meu irmão… e conquiste o que é seu por direito.

O Quase Repórter (Victor) ainda lamenta a morte da esposa, que faleceu por um grave acidente a pouco mais de 1 ano. Aos poucos, ele vai descobrindo que forças sobrenaturais foram responsáveis pela morte de Celina, e que o noivo de Verônica também corria perigo. Então, os dois se encontram e partem em busca de soluções para evitar que o noivo também morra.

No começo, achei meio sem noção esse negócio de sobrenatural, e cheguei a desconfiar que ele poderia ser o médico em coma, noivo da Quase Viúva. Ao longo do livro, fiquei dividida pois os dois não tinham relação nenhuma. Grande engano.

 

A revelação de que o noivo era o Otávio, e o Sr Piposê era Barfabel, fez minha mente ficar bem assim:

 

Ah, vamos falar sobre o Sr. Barfabel Piposê. Ele nos foi apresentado como um ser sobrenatural chamado de Nornês, que teria capacidades de interferir na vida dos humanos. Para Verônica – ou Cila – e Victor, ele foi apresentado como Sr. Piposê, um velhote internado no mesmo quarto de Otávio que falava algumas coisas sem sentido, fazendo nossa pequena quase viúva questionar sua vida. E para Otávio, foi seu fiel companheiro de viagem.

Não ficou claro se ele era um vilão ou mocinho, mas acredito que tenha sido proposital: sim, ele tinha erros – como se envolver na morte de Celina, ex esposa do Victor – mas ele também guiou e ajudou Otávio a ter uma vida mais feliz.

Inclusive, eu adorei o final, quando Otávio fala que nunca fui um artista mega famoso, mas foi feliz vivendo daquilo que mais amava: a arte. Eu também parto deste pensamento – o que interessa não é o final, e sim o caminho.

 Nunca se limite ao ‘quase’. Não há nada mais depressivo do que beirar um sonho e jamais tentar alcançá-lo. […] e sendo um ‘quase completo’ você será sempre um ‘quase feliz’.

Também amei que todos os envolvidos – Verônica/Cila que partiu em busca do seu final feliz e Victor, que terá a ajuda de nossa fofíssima Rosana (em um outro momento faço um texto sobre os outros personagens).

Inclusive, se tiver um livro sobre as memórias do Victor, não iria achar ruim.

Concluindo: pra você que também curtiu a sinopse, vale a pena ler. A leitura flui, possui doses (ainda que pequenas) de tensão, ansiedade e humor. Pode começar sem medo. E tem aquela coisa né: vamos valorizar nossos queridos autores brasileiros. Acredito que o Felippe ainda tem muito potencial, e já começou com um bom livro. Já leu o livro? Deixa ai seu comentário!

2 comments
    1. Oi Walter tudo jóia? Leitura recomendada, o livro é bem legal mesmo 🙂

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